quarta-feira, 23 de abril de 2014

O pé, a posição e o caminho



"Coisas mudaram" - disse
A primeira - e óbvia - reação
Foi voltar atrás, o pé atrás
Mas foi assim - reativo, instintivo
Sem raciocínio
Como assim mudou o caminho?
Era para ser a outra direção.
Era para pisar em outro galho.
Era para enxergar pássaros azuis!
Por que nenhum pássaro aqui é azul?
Por que raios os planos mudaram?
Volto para o caminho que já passei, passo atrás
O pé direito volta para a linha já traçada
Insegurança? - Que nada, sigo planos
Planos cuidadosamente planejados
Anos e anos dedicando-se aos mínimos detalhes
QUE DETALHES?
DE UM FUTURO QUE NUNCA EXISTIU?
QUER MANDAR NO TEMPO TAMBÉM?
Calmamente o pé esquerdo volta a tatear o caminho desconhecido
De fato, nenhum pássaro daqui é mesmo azul
Mas há tantos e de tantas cores
Nunca pude imaginar
Pé ante pé - esquerda, direita, esquerda, direita
Num traçar de novos caminhos
mudar de direção, manter a mudança, mudar novamente
Ouvem-se melodias
Cuidadosamente calculadas para AGRADAR até aos ouvidos mais leigos
Cuidadosamente calculadas para AFETAR até aos ouvidos mais leigos
Sussurram
"Por acaso você já parou para pensar que caminhar é mudar de lugar a cada passo?"


domingo, 13 de abril de 2014

A volta


Eis que um dia resolvo voltar
Decido que talvez valha a pena voltar a tentar
Decido que talvez seja a hora de admitir
Quanto amor há aqui
E quanto amor houve
E quanto sempre haverá
Porque é esse o sentimento que me rege
Por mais que tentem contrapô-lo à racionalidade
Da qual nunca abrirei mão
Decidi parar de esconder de mim
O que nunca foi uma dúvida real
Todos os que agem
Não importa se por impulso ou por estratégia
Sempre agirão pela paixão
Pois não há ação sem afetação, sem paixão
E não há amor que não afete, que não afeiçoe, que não apaixone
A vontade de gritar, de chorar
Esconde a necessidade de explodir em poesia de prosa, em prosa poética
Ou no que quer que uma prosa gostosa possa trazer em flerte apaixonado com um poeta...

Motivada por um desafio: "Divagar"

Sinto, não sei
Talvez não sinta
O sentido de sentir é outro
Mas talvez não seja
Me preocupo em não saber
Mas querer saber me parece querer demais
E querer demais é complicado
Complicado de querer
Complicado de não ter
Mas quem tem?
Será que alguém?
Ah, já foi
Senti, e sei.