domingo, 8 de fevereiro de 2026

Quando a felicidade dá medo

 Sou bipolar. Ponto pacífico. Faço acompanhamento psiquiátrico, tomo meus remédios, tento manter rotina saudável de alimentação e sono, pacote completo do transtornado consciente.

Vivi muitas crises. Depressivas e maníacas, porém muito mais depressivas que maníacas. Acostumei a cuidar da depressão. Atualmente identifico bem rápido quando a crise está chegando, e consigo agir rápido com relação a intervenção psiquiátrica.

As poucas crises maníacas que tive foram bastante intensas, cheguei a descolar da realidade de tal forma que alguns momentos são como um borrão. Quase como se eu tivesse uma amnésia alcoólica, só que sem o álcool necessariamente. Depois de passada a crise e tratamento estabilizado, quando paro pra pensar sobre os momentos de mania, percebo o quão arriscado (risco de vida mesmo) estavam meu comportamento e pensamento.

O problema é que antes desses momentos de pico das crises maníacas, parecia que tudo estava indo bem. Eu tinha muita facilidade em "ser feliz", ficava mais produtiva, mais ativa, mais falante, mais agradável mesmo...

Isso é muito paradoxal porque, supostamente, se estou com o transtorno estabilizado, felicidade e trasteza são apenas sentimentos. Estados de espírito. Coisa que qualquer pessoa "normal" vive. Fase mesmo.

Então quando a felicidade vem, eu deveria apenas apreciar né? Mas eu ainda não sei se estou estável. Nem sei se um dia saberei. Então quando a maré de alegria, felicidade, disposição, energia boa chega, não consigo desfrutar plenamente desse momento.

Chega sempre um pensamento, uma vozinha sussurrando que pergunta - será que você tá feliz FELIZ, ou você tá caminhando pra um estado de mania de novo?

É muito assustadora a possibiliadade de surtar porque estou ~feliz~.

Resta confiar na dosagem dos remédios, e que nada mudou no meu metabolismo...